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Com casas de palha e transporte por meio de animais, João Chaves desenha realidade do antigo norte de Goiás

09/10/2018 15h57 - Atualizado em 09/10/2018 17h25


Auditor fez parte do movimento de luta pela criação do Estado

Contando a história de João Chaves, 68, o Sindifiscal continua a série de reportagens que mostra a relação dos auditores com os 30 anos de Tocantins. Quando Chaves chegou em terras tocantinenses, o ano era 1950. O solo do mais jovem estado do Brasil ainda pertencia à Goiás, junto com a família ele morava na cidade de Boa Vista do Padre João e o cenário, nas palavras dele, era “rústico”. “Aqui não tinha casa de telha, eram todas de palha, não tinha telefone e o transporte era feito por meio de animais como o jumento. Eu tinha um ano de idade, meu aniversário foi na mudança do Maranhão para cá”, conta.

Ele conta da participação da família na construção da comunidade. “Minha mãe carregou tijolo na construção do Colégio Dom Orione - o conhecido Ginásio do norte goiano e a primeira torneira da região foi no quintal da minha mãe, eu já era adulto”.

“Naquela época tínhamos que ir para Goiania estudar. Para sair daqui só era possível por meio de aviação porque não tinha estrada, depois com a criação da Belém-Brasília e a chegada do asfalto, as coisas melhoraram. Eu me criei aqui, saí para estudar, quando terminei os estudos, consegui um emprego como consultor técnico da secretaria da Fazenda, depois voltei para a casa dos meus pais, quando Estado já havia sido criado, e fiz o concurso para o quadro do Fisco do Tocantins”.

João Chaves carrega na coleção de orgulhos a participação nos movimentos de luta pela criação do Estado. “Nós que fazíamos parte casa do estudante Cenog, encabeçávamos vários movimentos em praça pública, reuniões e íamos a Goiania para nos encontrar com os deputados. Vários nomes participaram dessa luta, tinha o apoio do deputado federal Darci Martins Coelho, a deputada Ana Braga e o Siqueira Campos foi a peça principal dessa luta, até que conseguimos realizar o sonho”.


Sobre a atuação no Fisco, ele destaca o começo em Tocantinópolis, passando por Pedro Afonso e retornando à regional de origem, onde trabalha atualmente. Em exercício na administração tributária, “a gente viajava duas ou três vezes por mês para a Capital. Enfrentávamos estrada de chão, quando chegávamos só tinha barro na cabeça, nos hotéis juntavam 30 ou 40 pessoas na fila para tomar banho. Tinha pouca estrutura para receber as pessoas que vinham procurar emprego, investir, ou resolver problemas”, recorda.

Sobre as curiosidades da trajetória, ele diz ainda que sofria ameaça de morte por parte de fazendeiros que se incomodavam com a seriedade de seu trabalho. “Queriam levar vantagem sobre o Estado, me ofereciam dinheiro e carro de luxo. Como eu não aceitava, me ameaçavam, ligavam para minha mãe, ameaçavam até minha filha, mas não me intimidavam porque naquela época eu tive proteção por parte Estado”.

Perguntado sobre as mudanças que viu acontecer ao longo do anos, ele pontua: “Hoje o turismo se desenvolveu, temos boas escolas, faculdades, o comercio cresceu, a pecuária também. A renda que tinha antes era através das quebradeiras de coco e o coco babaçu, hoje temos uma indústria muito grande que fabrica óleos vegetais e sabão”.

A respeito da importância do ofício do Fisco e a relação dos auditores com o Estado, ele é enfático: “nosso objetivo é coibir a sonegação. É fundamental na subsistência do Estado. E eu me orgulho de fazer parte dessa história, escolhi o Tocantins e sempre acreditei na história do Estado”. Finalizou.