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A aposentadoria chegou: Ôba! E Agora?

22/08/2018 16h45 - Atualizado em 23/08/2018 09h59

Após anos de trabalho, finalmente chega a hora dela. Para alguns é o momento super aguardado, contando os dias para que ela aconteça. Ufa! Finalmente. Para outros, entretanto, passa longe de querer que ele se aproxime. Ainda não! Ainda tenho muito a contribuir! E o que se observa é que tanto os primeiros quanto os segundos não se preparam adequadamente para enfrentar esse novo momento das suas vidas. Estamos falando da aposentadoria.

O objetivo desse artigo não é tratar de aspectos legais, mas sim fazer uma reflexão acerca da consciência que o aposentando ou aposentado precisa ter quanto ao seu novo papel na família, na comunidade e no mundo. Trabalhar é uma das necessidades vitais dos indivíduos e a sua prática está intimamente relacionada à construção da identidade, dos laços afetivos, sociais, profissionais que cada um de nós estabelece ao longo da vida.

Com o advento da aposentadoria, as pessoas passam a ter mais tempo livre e eu observo que isso ainda é culturalmente confundido com “não fazer nada”. Assim, aquele ou aquela que está prestes a se aposentar ou que já usufrui desse direito, necessita ter clareza do seu papel, ter planos e projetos na vida, ocupar seu tempo como quiser e lhe convier. Não aceitar ser tratado desrespeitosamente com frases do tipo “já que o senhor não faz nada ... Já que a senhora não fica na fila do banco ... Já que o senhor tem tempo de sobra ...”e o que é pior esse tratamento vem na maioria das vezes da família, gerando baixa auto-estima e senso de inutilidade.

Uma coisa é o avô ou a avó eventualmente buscar os netos na escola, cuidar deles, levar para passear e outros programas que são fruição prazerosa do tempo. Outra situação é se deixar ser literalmente explorado e desrespeitado como comumente acontece em diversas famílias que ocupam o tempo do aposentado com tarefas rotineiras que na verdade não são de sua responsabilidade. Costumo dizer nas palestras e nos cursos sobre esse tema que vale muito a pena ajudar os filhos, os netos e outros parentes quando se aposenta, porém essa atividade deve favorecer o sentido de pertencimento, de alegria, e principalmente ser algo espontâneo, jamais uma ocupação que deixa de lhe proporcionar prazer, que não é sua e sim de outrem.

 Nesse sentido, a aposentadoria planejada pode trazer uma nova perspectiva, um rol de atividades positivas em que beneficiará a si mesmo e a sociedade. E quando nos reportamos a esse planejamento nos referimos aos aspectos financeiros, sociais, familiares, emocionais e de futuro. Afinal, o que faremos da nossa existência enquanto ela nos for um presente? Aposentar-se é redirecionar o olhar e os objetivos, não se acomodar e adoecer.


Adriana Magna
Palestrante, personal de oratória e coach